No processo de seleção da Volkswagen do Brasil, os candidatos deveriam responder a seguinte pergunta: 'Você tem experiência'? A redação abaixo foi desenvolvida por um dos candidatos. Ele foi aprovado e seu texto está fazendo sucesso, e ele com certeza será sempre lembrado por sua criatividade, sua poesia, e acima de tudo por sua alma.
**/REDAÇÃO VENCEDORA:/**
Já fiz cosquinha na minha irmã pra ela parar de chorar, já me queimei brincando com vela. Eu já fiz bola de chiclete e melequei todo o rosto, já conversei com o espelho, e até já brinquei de ser bruxo. Já quis ser astronauta, violonista, mágico, caçador e trapezista. Já me escondi atrás da cortina e esqueci os pés pra fora.
Já passei trote por telefone. Já tomei banho de chuva e acabei me viciando. Já roubei beijo. Já confundi Sentimentos. Peguei atalho errado e continuo andando pelo desconhecido. Já raspei o fundo da panela de arroz carreteiro, já me cortei fazendo a barba apressado, já chorei ouvindo música no ônibus. Já tentei esquecer algumas pessoas, mas descobri que essas são as mais difíceis de esquecer. Já subi escondido no telhado pra tentar pegar estrelas, já subi em árvore pra roubar fruta, já caí da escada de bunda. Já fiz juras eternas, já escrevi no muro da escola, já chorei sentado no chão do banheiro, já fugi de casa pra sempre, e voltei no outro instante. Já corri pra não deixar alguém chorando, já fiquei
sozinho no meio de mil pessoas sentindo falta de uma só. Já vi pôr-do-sol cor-de-rosa e alaranjado, já me joguei na piscina sem vontade de voltar, já bebi uísque até sentir dormentes os meus lábios, Já olhei a cidade de cima e mesmo assim não encontrei meu lugar. Já senti medo do escuro, já tremi de nervoso, já quase morri de amor, mas renasci novamente pra ver o sorriso de alguém especial. Já acordei no meio da noite e fiquei com medo de levantar. Já apostei em correr descalço na rua, já gritei de felicidade, já roubei rosas num enorme jardim. Já me apaixonei e achei que era para sempre, mas sempre era um 'para sempre' pela metade. Já deitei na grama de madrugada e vi a Lua virar Sol,
Já chorei por ver amigos partindo, mas descobri que logo chegam novos, e a vida é mesmo um ir e vir sem razão. Foram tantas coisas feitas, momentos fotografados pelas lentes da emoção, guardados num baú, chamado coração. E agora um formulário me interroga, me encosta na parede e grita: 'Qual sua experiência?'. Essa pergunta ecoa no meu cérebro: experiência...experiência...Será que ser 'plantador de sorrisos' é uma boa experiência? Sonhos!!! Talvez eles não saibam ainda colher sonhos! Agora gostaria de indagar uma pequena coisa para quem formulou esta pergunta: Experiência? Quem a tem, se a todo o momento tudo se renova?'.
terça-feira, 23 de setembro de 2008
Lourenço Mutarelli - O quadrinista/escritor da tristeza, da solidão, da ilusão...
- Com o livro “O Cheiro do Ralo” autor chega ao cinema
Lourenço Mutarelli, esteve visitando Adamantina no último dia 19, dentro do Projeto “Viagem Literária”. A Gazeta Regional esteve presente na Biblioteca Municipal daquela cidade e fez a entrevista que segue.
Gazeta Regional – Você um dia disse: - Se me virem em uma palestra ou evento não tenham vergonha, digam que também pertenceram a esse blog...
Várias pessoas participaram do seu blog e com o fim do mesmo, muitos foram os que ficaram órfãos da sua ácida opinião sobre tudo ali postada, mas creia, quase todos entenderam a razão da sua despedida.
Muitos moram, outros já moraram em São Paulo e sabem o quanto é complicado, nos dias de hoje, tentar enfrentar o ritmo frenético da metrópole. Ainda tem a tecnologia que nos absorve, contribuindo em muito para a pressa de todo os dias, o que acarreta mais pressão e estresse.
Quando você foi vitima da síndrome de pânico, a sua produção nos quadrinhos e na literatura foi mais intensa?
Lourenço Mutarelli – Quando eu comecei a me recuperar sim. Eu tive uma depressão muito profunda e sofria vários ataques por dia. Eu fiquei muito debilitado e conforme eu fui melhorando produzi o meu primeiro álbum de quadrinhos (Transubstanciação), mas sem dúvida essa fase foi uma fonte de idéias para o meu trabalho e é o que tem alimentado toda a minha obra.
GR – Você disse amar a solidão. Como é ter que cumprir uma agenda extensa de palestras por várias cidades, onde ao mesmo tempo em que divulga todo o seu trabalho, é obrigado também a sair dessa rotina de silêncio e produção?
LM – Eu acho bom esse contato. Sinceramente eu gosto. Descobri que fazendo palestras você acaba tendo uma visão diferente de todo o seu trabalho. A gente não reflete sobre o trabalho e depois que você vai embora começa a ter essa visão substanciada deste trabalho o que é importante. Eu estou viajando demais, mas aqui é a última cidade do projeto “Viagem Literária”, do Governo Estadual e depois vou a Curitiba e aí sim eu preciso me fechar e me concentrar no meu trabalho.
Não tem jeito, quando você lança um livro e ele vai bem isso acontece. É comum que você tenha muita atividade na divulgação, isso faz parte do trabalho, mas agora essa fase já passou e eu vou voltar a me recolher.
GR – Qual é a sua opinião sobre o atual momento tecnológico que estamos vivendo? Você diz que não tem nada a ver com internet e etc.
LM – Eu acho que eu estou ficando mais otimista com isto. Por exemplo a volta do vinil e não só o vinil, está vindo um modismo retrô pois todos pensam que a internet pode ser boa e tão percebendo que ela é limitada, como tudo, eu acho que está voltando. O que me revoltou muito nesse processo foi a falta de material, eu trabalho muito com bico de pena e havia parado de ser importado, então isso me revoltou muito, o pessoal ceder a uma coisa nova e que ninguém sabe direito o que é ainda e aceitar totalmente sem questionar, achando que é bacana, que é moda, business, comércio puro, status!
Agora já estou encontrando em São Paulo bons materiais que eu não encontrava nem antes dessa época. Passou o frisson e vamos voltar a conviver com a tecnologia mais mecânica que precisa da energia humana para funcionar.
GR – Acredito então que você tem saudades dos fanzines e suas pequenas tiragens?
LM – Eu tenho pensado muito nisso, inclusive agora em Curitiba, eu vou conversar com um rapz que faz umas edições artesanais e eu quero muito fazer uma coisa assim, tenho muita vontade de fazer algo para poucos, pela experiência, sem nenhum compromisso. Quando você começa a publicar e tem visibilidade, há uma cobrança de que o seu próximo livro seja melhor e isso para mim é uma estupidez. Eu gosto muito de música e de vez em quando você ouve um cd e dizem que o segundo é bom, o primeiro é bom e só o oitavo é excelente, legal, mas veja e o terceiro, o quarto, o quinto... Pr achegar no oitavo, então, às vezes tem o processo, que a gente não busca estar só melhorando, busca a experimentação, a reflexão de algum momento. E às vezes o primeiro é o melhor e talvez o décimo seja igualmente bom, quer dizer a gente tem que ir fazendo e eu sinto falta dessa coisa artesanal e experimental que era o fanzine para mim.
GR – Seus desenhos sempre tiveram uma marca sombria. Como foi trabalhar nos Estúdios “Maurício de Souza”, fazendo gibis infantis?
LM – Foi o meu primeiro trabalho. Eu vinha trabalhando como desenhista na parte de desenho animado para cinema, então eu não trabalhei na parte dos quadrinhos. Eu comecei desenhando as pontas de animação, isso é era intercalador, e depois eu passei a ser cenarista de animação, que é quem pinta os cenários onde ocorre a animação.
Foi uma experiência interessante pois eu tinha que ter uma disciplina e produzir diariamente, a gente trabalhava com um material muito bom. Era legal poder conhecer tudo isso, mas era um trabalho. Eu acho que me ajudou, por exemplo, quando eu tirei as minhas primeiras férias do trabalho, foi quando eu comecei a fazer meus primeiros quadrinhos e tentar publicar e tudo o que aprendi me deu respaldo para eu poder ter o meu próprio trabalho.
GR – O Marcatti e o Glauco Mattoso, foram os seus parceiros na revista “TRALHA”. Como foi pra vocês editarem esse tipo de revista no Brasil?
LM – Era muito divertido, a gente conseguiu ter um espaço. A editora na época bancou uma idéia que era do Marcatti e ele convidou o Glauco e eu. Foi bom e a revista, infelizmente, durou eu acho dois números, e só terminou porque o Marcatti teve umas divergências com o editor, por mim e pelo Glauco, ela teria continuado.
GR – A maioria dos seus leitores na época dos quadrinhos, tinham acima de 20 anos e eram universitários. E agora na literatura, você tem idéia do perfil do seu leitor?
LM – Eu não tenho. Mas eu sei que o meu público acaba sendo o universitário, pelo menos eu faço palestras em universidades e é aonde eu encontro muito dos meus leitores. Eu não sei se isso tem mudado e se as pessoas que liam meus quadrinhos, lêem agora meus livros, eu não sei se isso é comum. No dia-a-dia você acaba deixando de lado algumas coisas, acaba não tendo nem tempo pra acompanhar coisas como essas que são imprescindíveis em uma carreira.
GR – A última pergunta é sobre o seu livro que virou filme – “O Cheiro do Ralo” – Você opinou n roteiro? Pode dar alguns toques ou só foi ver o filme já pronto?
LM – Não, eu participei da filmagem, fiz um personagem, acompanhei o processo de filmagem, li o roteiro, mas eu não interferi e não queria mesmo. Durante as filmagens se me perguntavam alguma coisa eu falava pra perguntar pro “Selton”, pois ele sabia mais do que eu. Eu tinha escrito o livro em 2001 e nunca mais tinha lido e ele vivia relendo, estudando o livro. Então, eu deixei que tudo acontecesse, sem nenhuma pressão ou interferência, sem que minha presença pesasse. Foi muito legal. Tem coisas diferentes na adaptação mas que já tinham falado desde o começo e eu achei que isso tornou o filme mais atraente e abriu para que mais pessoas o vissem e se interessassem pela história.
GR – Pra realmente terminarmos, você disse que no meio do ano terminou as gravações de um outro livro seu?
LM – É – “O Natimorto” – é o texto que eu mais gosto. É uma história sobre as fotografias dos maçs de cigarro. Da primeira coleção, hoje já estamos na quarta coleção. Trata-se de um cara que fuma um maço de cigarros por dia e ele sempre compra de manhã esses cigarros. Foi criado por uma tia cartomante e ele relaciona as imagens dos maços como se um prenúncio do seu dia. Isso é uma das partes da história e ele é um agente, que descobre uma cantora que tem uma voz especial e aí faz uma proposta a ela para que se isolem em um quarto de hotel por alguns anos.
A história gira mais ou menos em torno disso.
SERVIÇO:
“A Arte de Produzir Efeito Sem Causa”
novo livro de Lourenço Mutarelli
Cia. das Letras - 216Pgs.
R$ 34,90
RELEASE:
Em sua estréia na Companhia das Letras, Lourenço Mutarelli narra a história de Júnior, um homem que aos 43 anos volta para a casa do pai depois de abandonar o emprego e o casamento. Ali, se vê arrastado por um vazio existencial que o leva a transitar entre a sanidade e a loucura.
Lourenço Mutarelli, esteve visitando Adamantina no último dia 19, dentro do Projeto “Viagem Literária”. A Gazeta Regional esteve presente na Biblioteca Municipal daquela cidade e fez a entrevista que segue.
Gazeta Regional – Você um dia disse: - Se me virem em uma palestra ou evento não tenham vergonha, digam que também pertenceram a esse blog...
Várias pessoas participaram do seu blog e com o fim do mesmo, muitos foram os que ficaram órfãos da sua ácida opinião sobre tudo ali postada, mas creia, quase todos entenderam a razão da sua despedida.
Muitos moram, outros já moraram em São Paulo e sabem o quanto é complicado, nos dias de hoje, tentar enfrentar o ritmo frenético da metrópole. Ainda tem a tecnologia que nos absorve, contribuindo em muito para a pressa de todo os dias, o que acarreta mais pressão e estresse.
Quando você foi vitima da síndrome de pânico, a sua produção nos quadrinhos e na literatura foi mais intensa?
Lourenço Mutarelli – Quando eu comecei a me recuperar sim. Eu tive uma depressão muito profunda e sofria vários ataques por dia. Eu fiquei muito debilitado e conforme eu fui melhorando produzi o meu primeiro álbum de quadrinhos (Transubstanciação), mas sem dúvida essa fase foi uma fonte de idéias para o meu trabalho e é o que tem alimentado toda a minha obra.
GR – Você disse amar a solidão. Como é ter que cumprir uma agenda extensa de palestras por várias cidades, onde ao mesmo tempo em que divulga todo o seu trabalho, é obrigado também a sair dessa rotina de silêncio e produção?
LM – Eu acho bom esse contato. Sinceramente eu gosto. Descobri que fazendo palestras você acaba tendo uma visão diferente de todo o seu trabalho. A gente não reflete sobre o trabalho e depois que você vai embora começa a ter essa visão substanciada deste trabalho o que é importante. Eu estou viajando demais, mas aqui é a última cidade do projeto “Viagem Literária”, do Governo Estadual e depois vou a Curitiba e aí sim eu preciso me fechar e me concentrar no meu trabalho.
Não tem jeito, quando você lança um livro e ele vai bem isso acontece. É comum que você tenha muita atividade na divulgação, isso faz parte do trabalho, mas agora essa fase já passou e eu vou voltar a me recolher.
GR – Qual é a sua opinião sobre o atual momento tecnológico que estamos vivendo? Você diz que não tem nada a ver com internet e etc.
LM – Eu acho que eu estou ficando mais otimista com isto. Por exemplo a volta do vinil e não só o vinil, está vindo um modismo retrô pois todos pensam que a internet pode ser boa e tão percebendo que ela é limitada, como tudo, eu acho que está voltando. O que me revoltou muito nesse processo foi a falta de material, eu trabalho muito com bico de pena e havia parado de ser importado, então isso me revoltou muito, o pessoal ceder a uma coisa nova e que ninguém sabe direito o que é ainda e aceitar totalmente sem questionar, achando que é bacana, que é moda, business, comércio puro, status!
Agora já estou encontrando em São Paulo bons materiais que eu não encontrava nem antes dessa época. Passou o frisson e vamos voltar a conviver com a tecnologia mais mecânica que precisa da energia humana para funcionar.
GR – Acredito então que você tem saudades dos fanzines e suas pequenas tiragens?
LM – Eu tenho pensado muito nisso, inclusive agora em Curitiba, eu vou conversar com um rapz que faz umas edições artesanais e eu quero muito fazer uma coisa assim, tenho muita vontade de fazer algo para poucos, pela experiência, sem nenhum compromisso. Quando você começa a publicar e tem visibilidade, há uma cobrança de que o seu próximo livro seja melhor e isso para mim é uma estupidez. Eu gosto muito de música e de vez em quando você ouve um cd e dizem que o segundo é bom, o primeiro é bom e só o oitavo é excelente, legal, mas veja e o terceiro, o quarto, o quinto... Pr achegar no oitavo, então, às vezes tem o processo, que a gente não busca estar só melhorando, busca a experimentação, a reflexão de algum momento. E às vezes o primeiro é o melhor e talvez o décimo seja igualmente bom, quer dizer a gente tem que ir fazendo e eu sinto falta dessa coisa artesanal e experimental que era o fanzine para mim.
GR – Seus desenhos sempre tiveram uma marca sombria. Como foi trabalhar nos Estúdios “Maurício de Souza”, fazendo gibis infantis?
LM – Foi o meu primeiro trabalho. Eu vinha trabalhando como desenhista na parte de desenho animado para cinema, então eu não trabalhei na parte dos quadrinhos. Eu comecei desenhando as pontas de animação, isso é era intercalador, e depois eu passei a ser cenarista de animação, que é quem pinta os cenários onde ocorre a animação.
Foi uma experiência interessante pois eu tinha que ter uma disciplina e produzir diariamente, a gente trabalhava com um material muito bom. Era legal poder conhecer tudo isso, mas era um trabalho. Eu acho que me ajudou, por exemplo, quando eu tirei as minhas primeiras férias do trabalho, foi quando eu comecei a fazer meus primeiros quadrinhos e tentar publicar e tudo o que aprendi me deu respaldo para eu poder ter o meu próprio trabalho.
GR – O Marcatti e o Glauco Mattoso, foram os seus parceiros na revista “TRALHA”. Como foi pra vocês editarem esse tipo de revista no Brasil?
LM – Era muito divertido, a gente conseguiu ter um espaço. A editora na época bancou uma idéia que era do Marcatti e ele convidou o Glauco e eu. Foi bom e a revista, infelizmente, durou eu acho dois números, e só terminou porque o Marcatti teve umas divergências com o editor, por mim e pelo Glauco, ela teria continuado.
GR – A maioria dos seus leitores na época dos quadrinhos, tinham acima de 20 anos e eram universitários. E agora na literatura, você tem idéia do perfil do seu leitor?
LM – Eu não tenho. Mas eu sei que o meu público acaba sendo o universitário, pelo menos eu faço palestras em universidades e é aonde eu encontro muito dos meus leitores. Eu não sei se isso tem mudado e se as pessoas que liam meus quadrinhos, lêem agora meus livros, eu não sei se isso é comum. No dia-a-dia você acaba deixando de lado algumas coisas, acaba não tendo nem tempo pra acompanhar coisas como essas que são imprescindíveis em uma carreira.
GR – A última pergunta é sobre o seu livro que virou filme – “O Cheiro do Ralo” – Você opinou n roteiro? Pode dar alguns toques ou só foi ver o filme já pronto?
LM – Não, eu participei da filmagem, fiz um personagem, acompanhei o processo de filmagem, li o roteiro, mas eu não interferi e não queria mesmo. Durante as filmagens se me perguntavam alguma coisa eu falava pra perguntar pro “Selton”, pois ele sabia mais do que eu. Eu tinha escrito o livro em 2001 e nunca mais tinha lido e ele vivia relendo, estudando o livro. Então, eu deixei que tudo acontecesse, sem nenhuma pressão ou interferência, sem que minha presença pesasse. Foi muito legal. Tem coisas diferentes na adaptação mas que já tinham falado desde o começo e eu achei que isso tornou o filme mais atraente e abriu para que mais pessoas o vissem e se interessassem pela história.
GR – Pra realmente terminarmos, você disse que no meio do ano terminou as gravações de um outro livro seu?
LM – É – “O Natimorto” – é o texto que eu mais gosto. É uma história sobre as fotografias dos maçs de cigarro. Da primeira coleção, hoje já estamos na quarta coleção. Trata-se de um cara que fuma um maço de cigarros por dia e ele sempre compra de manhã esses cigarros. Foi criado por uma tia cartomante e ele relaciona as imagens dos maços como se um prenúncio do seu dia. Isso é uma das partes da história e ele é um agente, que descobre uma cantora que tem uma voz especial e aí faz uma proposta a ela para que se isolem em um quarto de hotel por alguns anos.
A história gira mais ou menos em torno disso.
SERVIÇO:
“A Arte de Produzir Efeito Sem Causa”
novo livro de Lourenço Mutarelli
Cia. das Letras - 216Pgs.
R$ 34,90
RELEASE:
Em sua estréia na Companhia das Letras, Lourenço Mutarelli narra a história de Júnior, um homem que aos 43 anos volta para a casa do pai depois de abandonar o emprego e o casamento. Ali, se vê arrastado por um vazio existencial que o leva a transitar entre a sanidade e a loucura.
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Um abraço e até breve.Cordialmente,Equipe Caros Amigos
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
Paêbiru (1975) - Lula Cortês e Zé Ramalho...

É das coisas mais malucas e assombrosas que já se fez em música brasileira, mas eu me surpreenderia muito se eu tiver mais de 5 leitores que a conheçam. O nome é escrito assim mesmo, com a combinação agramatical de acentos.
Em 1973, o paraibano Zé Ramalho estava cansado de animar bailes em bandas de iê-iê-iê de João Pessoa e Campina Grande. O pintor Raul Córdula lhe avisou que no Recife havia um pessoal diferente, conhecido pela alcunha de udigrudi pernambucano. Foi pra lá. O guru era Lula Côrtes, um hiperativo que dividia seu tempo entre o desenho e o seu inseparável (e legendário) tricórdio.
Em 1973, o paraibano Zé Ramalho estava cansado de animar bailes em bandas de iê-iê-iê de João Pessoa e Campina Grande. O pintor Raul Córdula lhe avisou que no Recife havia um pessoal diferente, conhecido pela alcunha de udigrudi pernambucano. Foi pra lá. O guru era Lula Côrtes, um hiperativo que dividia seu tempo entre o desenho e o seu inseparável (e legendário) tricórdio.
Este disco não foi a estréia de Zé. Ele havia entrado no estúdio em 1973 para participar de uma maluquice coletiva chamada Marconi Notaro no Sub Reino dos Metazoários. Lula Côrtes se firmara como líder da turma durante a I Feira Experimental de Música do Nordeste (11/11/1972), também conhecida como Woodstock cabra da peste.
“O ácido era distribuído ao público, cerca de duas mil pessoas, dissolvido num balde com K-suco”, testemunhou depois Marco Polo, futuro membro da Tamarineira Village, numa entrevista ao jornalista pernambucano José Telles (autor de Do Frevo ao Manguebeat, Editora 34).
No início de 1974 Zé foi apresentado a Lula, que vivia com a namorada Kátia Mesel no então distante subúrbio de Casa Forte (que virou bairro nobre do Recife). Lula lhe falou da Pedra do Ingá e da idéia de fazer um disco inspirado no sítio arqueológico de Ingá do Bacamarte. O disco foi feito em 1975 no estúdio da Rozenblit (empresa fundamental para a história da música pernambucana) e lançado imediatamente. Mas na terrível enchente de julho daquele ano no Recife, as águas do Capibaribe invadiram a fábrica e destruíram praticamente toda a prensagem do disco, com a exceção de 300 cópias que haviam sido levadas para a casa de Lula e Kátia.
Dessas 300 cópias nasceu o mito, que é tão incrível que há gente que não acredita.
Hoje é possível encontrá-lo em CD, lançado pela Shadoks, um obscuro selo alemão. Aí no Brasil o disco sai por um preço bem salgado: alguém oferece um exemplar do CD no Mercado Livre por 120 mangos. No site da CliqueMusic é possível ouvir os primeiros 30 segundos de cada faixa. E também está disponível por aí na rede, claro, para quem tem as manhas.
Eu acho 90% do que se passa por “psicodelia” uma grande embromação. O Pink Floyd fez um disco, chamado The Piper at the Gates of Dawn (1967), ainda com Syd Barrett. O resto é trilha sonora de imberbe experimentando um baseado pela primeira vez. Estou em boa companhia ao achar o Grateful Dead uma chatice: o desfrute da música depende seriamente de uma ajudazinha de psicotrópicos e da mitologia da "viajandice" propagada pela banda.
Não é o caso deste LP duplo, em quatro partes: Terra, Ar, Fogo, Água. 11 canções no total, sendo o “Ar” representado só por duas faixas. “Trilha de Sumé”, com 13 minutos, passa por tambores, cantorias em marcação de coco, flauta, saxofone, o tricórdio de Lula e a guitarra distorcida de Zé Ramalho. É impossível saber o que vai acontecer no momento seguinte. As seqüências melódicas são interrompidas por cantorias de pássaros, sons de cachoeiras e outros barulhos da natureza que vão pontuando a viagem. “Harpa dos Ares” é uma bela peça instrumental com diálogo de cordas, flauta e canto de pássaros. O fechamento da parte “Terra” é com “Não existe molhado igual ao pranto”, melodia arrastada à base de cordas, com gritos esganiçados ao fundo (sugerindo tortura, talvez) e solos de sax. O barítono rouco e arranhado de Zé ecoa melancólico: Não se escuta da terra quem for santo / Não se cobre um só rosto com dois mantos / Nem se cura do mal quem só tem pranto / Nenhum canto é mais triste que o final.
Eu gosto menos da seqüência do “Ar” (faixas 4 e 5) que é mais plácida, menos trabalhada musicalmente e mais dependente de ruídos externos.
A seqüência “Fogo” começa com uma canção intitulada com versos que depois ficariam famosos na voz de Zé: “Nas paredes da pedra encantada / os segredos talhados por Sumé”. Essa é um petardo, um rock alucinógeno, com bateria, baixo, órgão. Um resenhista definiu a canção como “o som que os Doors teriam se eles fossem capazes de se divertir”. Essa seqüência termina com “Maracas de Fogo” e "Louvação a Iemanjá”, um canto responsorial sobre um batuque polirrítmico bem próprio dos sons dos orixás. Mais três faixas completam o disco, louvando a água: ali de novo predominam as cordas, pontuadas por ruídos aquáticos vários. Destaque para “Pedra Templo Animal”, um xaxado psicodélico.
Em 2003 eu vi um show de Zé Ramalho no Canecão, como convidado de Jorge Mautner. Depois, tive acesso ao camarim, porque estava com o mestre. Ia perguntar sobre Paêbirú. Não perguntei. Saí e fui escutar Mautner dissertar sobre Heidegger na areia de Ipanema.
Leitor: não morra sem ouvir este disco.
PS: se alguém conhecer outra resenha deste disco em português, além da minha e das duas páginas dedicadas a ele por José Telles em Do Frevo ao Manguebeat, por favor me avise.
“O ácido era distribuído ao público, cerca de duas mil pessoas, dissolvido num balde com K-suco”, testemunhou depois Marco Polo, futuro membro da Tamarineira Village, numa entrevista ao jornalista pernambucano José Telles (autor de Do Frevo ao Manguebeat, Editora 34).
No início de 1974 Zé foi apresentado a Lula, que vivia com a namorada Kátia Mesel no então distante subúrbio de Casa Forte (que virou bairro nobre do Recife). Lula lhe falou da Pedra do Ingá e da idéia de fazer um disco inspirado no sítio arqueológico de Ingá do Bacamarte. O disco foi feito em 1975 no estúdio da Rozenblit (empresa fundamental para a história da música pernambucana) e lançado imediatamente. Mas na terrível enchente de julho daquele ano no Recife, as águas do Capibaribe invadiram a fábrica e destruíram praticamente toda a prensagem do disco, com a exceção de 300 cópias que haviam sido levadas para a casa de Lula e Kátia.
Dessas 300 cópias nasceu o mito, que é tão incrível que há gente que não acredita.
Hoje é possível encontrá-lo em CD, lançado pela Shadoks, um obscuro selo alemão. Aí no Brasil o disco sai por um preço bem salgado: alguém oferece um exemplar do CD no Mercado Livre por 120 mangos. No site da CliqueMusic é possível ouvir os primeiros 30 segundos de cada faixa. E também está disponível por aí na rede, claro, para quem tem as manhas.
Eu acho 90% do que se passa por “psicodelia” uma grande embromação. O Pink Floyd fez um disco, chamado The Piper at the Gates of Dawn (1967), ainda com Syd Barrett. O resto é trilha sonora de imberbe experimentando um baseado pela primeira vez. Estou em boa companhia ao achar o Grateful Dead uma chatice: o desfrute da música depende seriamente de uma ajudazinha de psicotrópicos e da mitologia da "viajandice" propagada pela banda.
Não é o caso deste LP duplo, em quatro partes: Terra, Ar, Fogo, Água. 11 canções no total, sendo o “Ar” representado só por duas faixas. “Trilha de Sumé”, com 13 minutos, passa por tambores, cantorias em marcação de coco, flauta, saxofone, o tricórdio de Lula e a guitarra distorcida de Zé Ramalho. É impossível saber o que vai acontecer no momento seguinte. As seqüências melódicas são interrompidas por cantorias de pássaros, sons de cachoeiras e outros barulhos da natureza que vão pontuando a viagem. “Harpa dos Ares” é uma bela peça instrumental com diálogo de cordas, flauta e canto de pássaros. O fechamento da parte “Terra” é com “Não existe molhado igual ao pranto”, melodia arrastada à base de cordas, com gritos esganiçados ao fundo (sugerindo tortura, talvez) e solos de sax. O barítono rouco e arranhado de Zé ecoa melancólico: Não se escuta da terra quem for santo / Não se cobre um só rosto com dois mantos / Nem se cura do mal quem só tem pranto / Nenhum canto é mais triste que o final.
Eu gosto menos da seqüência do “Ar” (faixas 4 e 5) que é mais plácida, menos trabalhada musicalmente e mais dependente de ruídos externos.
A seqüência “Fogo” começa com uma canção intitulada com versos que depois ficariam famosos na voz de Zé: “Nas paredes da pedra encantada / os segredos talhados por Sumé”. Essa é um petardo, um rock alucinógeno, com bateria, baixo, órgão. Um resenhista definiu a canção como “o som que os Doors teriam se eles fossem capazes de se divertir”. Essa seqüência termina com “Maracas de Fogo” e "Louvação a Iemanjá”, um canto responsorial sobre um batuque polirrítmico bem próprio dos sons dos orixás. Mais três faixas completam o disco, louvando a água: ali de novo predominam as cordas, pontuadas por ruídos aquáticos vários. Destaque para “Pedra Templo Animal”, um xaxado psicodélico.
Em 2003 eu vi um show de Zé Ramalho no Canecão, como convidado de Jorge Mautner. Depois, tive acesso ao camarim, porque estava com o mestre. Ia perguntar sobre Paêbirú. Não perguntei. Saí e fui escutar Mautner dissertar sobre Heidegger na areia de Ipanema.
Leitor: não morra sem ouvir este disco.
PS: se alguém conhecer outra resenha deste disco em português, além da minha e das duas páginas dedicadas a ele por José Telles em Do Frevo ao Manguebeat, por favor me avise.
MEC estuda autorizar outros diplomados a exercer jornalismo...
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc1709200818.htm
Proposta de Haddad é permitir que qualquer profissional com formação superior também possa trabalhar na área Sérgio Murillo de Andrade, presidente da Fenaj, diz que a proposta é "inoportuna'; ANJ não comenta porque caso está sob exame do STF DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O MEC (Ministério da Educação) estuda autorizar profissionais que tenham formação universitária em qualquer área a exercer a profissão de jornalista. O ministro Fernando Haddad (Educação) também quer discutir as diretrizes dos cursos oferecidos na área que passarão por uma supervisão, a exemplo do que ocorreu com direito, medicina e pedagogia. Ainda neste mês, o ministro disse que vai constituir um grupo de trabalho para apresentar, em 90 dias, uma proposta nesse sentido. "A comissão fará uma análise das diretrizes curriculares do jornalismo e, sobretudo, das perspectivas de graduados em outras áreas, mediante formação complementar, poderem fazer jus ao diploma." Ele disse à Folha que seu objetivo não é entrar na discussão travada no STF (Supremo Tribunal Federal) e no Ministério do Trabalho sobre a obrigatoriedade do diploma, mas tratar da formação do jornalista. Do ponto de vista prático, se o STF -que deve julgar ação neste semestre- entender que o diploma de jornalista é obrigatório, a discussão se tornará inócua. "No mundo inteiro as pessoas se formam nessa área, mesmo onde não há obrigatoriedade. Sou favorável à boa formação. Não discuto a questão do exercício profissional." Para um profissional formado em outra área ser habilitado ao diploma de jornalista, ele precisaria cursar disciplinas essenciais para a formação na área, como técnica de reportagem, ética e redação, disse ele. Para Max Monjardim, chefe da comunicação do Trabalho, a discussão poderia se dar no grupo que discute a regulamentação da profissão, do qual participa: "Seria bom se o ministro indicasse algum representante da Educação para participar do grupo que já está funcionando [no Trabalho]". O presidente da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), Sérgio Murillo de Andrade, considerou a proposta de Haddad "inoportuna". Ele também participa do grupo criado pelo Trabalho. "É uma proposta feita por alguém que está distante da realidade da profissão." A ANJ (Associação Nacional de Jornais) disse que não comentaria a idéia por ser só uma proposta e porque o assunto está sob o exame do STF. No Supremo, o relator é Gilmar Mendes, que já autorizou profissionais da área a se registrarem sem possuir o diploma.
O MEC (Ministério da Educação) estuda autorizar profissionais que tenham formação universitária em qualquer área a exercer a profissão de jornalista. O ministro Fernando Haddad (Educação) também quer discutir as diretrizes dos cursos oferecidos na área que passarão por uma supervisão, a exemplo do que ocorreu com direito, medicina e pedagogia. Ainda neste mês, o ministro disse que vai constituir um grupo de trabalho para apresentar, em 90 dias, uma proposta nesse sentido. "A comissão fará uma análise das diretrizes curriculares do jornalismo e, sobretudo, das perspectivas de graduados em outras áreas, mediante formação complementar, poderem fazer jus ao diploma." Ele disse à Folha que seu objetivo não é entrar na discussão travada no STF (Supremo Tribunal Federal) e no Ministério do Trabalho sobre a obrigatoriedade do diploma, mas tratar da formação do jornalista. Do ponto de vista prático, se o STF -que deve julgar ação neste semestre- entender que o diploma de jornalista é obrigatório, a discussão se tornará inócua. "No mundo inteiro as pessoas se formam nessa área, mesmo onde não há obrigatoriedade. Sou favorável à boa formação. Não discuto a questão do exercício profissional." Para um profissional formado em outra área ser habilitado ao diploma de jornalista, ele precisaria cursar disciplinas essenciais para a formação na área, como técnica de reportagem, ética e redação, disse ele. Para Max Monjardim, chefe da comunicação do Trabalho, a discussão poderia se dar no grupo que discute a regulamentação da profissão, do qual participa: "Seria bom se o ministro indicasse algum representante da Educação para participar do grupo que já está funcionando [no Trabalho]". O presidente da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), Sérgio Murillo de Andrade, considerou a proposta de Haddad "inoportuna". Ele também participa do grupo criado pelo Trabalho. "É uma proposta feita por alguém que está distante da realidade da profissão." A ANJ (Associação Nacional de Jornais) disse que não comentaria a idéia por ser só uma proposta e porque o assunto está sob o exame do STF. No Supremo, o relator é Gilmar Mendes, que já autorizou profissionais da área a se registrarem sem possuir o diploma.
Smeels Like Teen Spirit
As sextas-feiras no jornal são os dias mais difíceis. Só saímos com o fechamento, isso lá pelas 22h.
Antes de ir para casa, o lanche sagrado e após o sono justo!
Acordo e já é sábado, o tempo é chuvoso e eu ao fechar os olhos penso estar em Ilha Solteira no Festival Interunesp, onde em quase todos os anos, eu e os amigos de Mirandópolis tínhamos nossa dose injetável de rock’n roll na veia.
A tristeza é tamanha por lá não estar e logo nesse ano, que além de toda a barca (prainha, festival, loucura), o maravilhoso jeito flower power de viver, os shows seriam históricos.
Arnaldo Antunes, Móveis Coloniais de Acaju, Cover do Los Hermanos, Ventania e os grandes (mesmo sem a Rita Lee) Mutantes.
Eles, os Mutantes, embalaram gerações e a nossa não ficou de fora. Penso nas entrevistas inéditas que poderia ter feito. Os sons psicodélicos que poderia ter ouvido. Os amigos que após um ano teria revido. A “viagem” que teria sido.
Mas, a história continua a ser escrita...
Tudo isso já tinha acontecido em minha mente, mas era sábado, 06h30 da manhã! Pensei: - Vou mudar esse clima.Olhei os DVDs na prateleira, adivinhem qual sorriu para mim? “CÁSSIA ELLER no Rock’n Rio”. Meu Deus, obrigado!!!
Rapidamente liguei todo o equipamento, aumentei o volume e...
Cara, era isso que eu precisava nesse dia. Essa mulher fez a minha cabeça, revolucionou. Mostrou a sua cara; bateu de frente; quebrou tabus; abriu nossos olhos e ouvidos e... foi embora! E nós, solitários órfãos, simples mortais, aqui estamos!
Às 07h da manhã chegava. Abri a janela e o som louco da Cássia ecoava aos pedestres que passavam em direção ao trabalho.
E eu que achava que já tinha visto e ouvido de tudo, chorei, ao ouvir a versão que Cássia Eller, homenageando o seu filho Chicão, na época com 09 anos, fez de “Smeels Like Teens Spirit”, do Nirvana.
A galera vibrava, pulava. Cássia, com sua voz poderosa, embalava a todos e fazia com que eu, com o meu choro, lavasse a alma e começasse aquele sábado redimido por não ter ido ao Interunesp.
Antes de ir para casa, o lanche sagrado e após o sono justo!
Acordo e já é sábado, o tempo é chuvoso e eu ao fechar os olhos penso estar em Ilha Solteira no Festival Interunesp, onde em quase todos os anos, eu e os amigos de Mirandópolis tínhamos nossa dose injetável de rock’n roll na veia.
A tristeza é tamanha por lá não estar e logo nesse ano, que além de toda a barca (prainha, festival, loucura), o maravilhoso jeito flower power de viver, os shows seriam históricos.
Arnaldo Antunes, Móveis Coloniais de Acaju, Cover do Los Hermanos, Ventania e os grandes (mesmo sem a Rita Lee) Mutantes.
Eles, os Mutantes, embalaram gerações e a nossa não ficou de fora. Penso nas entrevistas inéditas que poderia ter feito. Os sons psicodélicos que poderia ter ouvido. Os amigos que após um ano teria revido. A “viagem” que teria sido.
Mas, a história continua a ser escrita...
Tudo isso já tinha acontecido em minha mente, mas era sábado, 06h30 da manhã! Pensei: - Vou mudar esse clima.Olhei os DVDs na prateleira, adivinhem qual sorriu para mim? “CÁSSIA ELLER no Rock’n Rio”. Meu Deus, obrigado!!!
Rapidamente liguei todo o equipamento, aumentei o volume e...
Cara, era isso que eu precisava nesse dia. Essa mulher fez a minha cabeça, revolucionou. Mostrou a sua cara; bateu de frente; quebrou tabus; abriu nossos olhos e ouvidos e... foi embora! E nós, solitários órfãos, simples mortais, aqui estamos!
Às 07h da manhã chegava. Abri a janela e o som louco da Cássia ecoava aos pedestres que passavam em direção ao trabalho.
E eu que achava que já tinha visto e ouvido de tudo, chorei, ao ouvir a versão que Cássia Eller, homenageando o seu filho Chicão, na época com 09 anos, fez de “Smeels Like Teens Spirit”, do Nirvana.
A galera vibrava, pulava. Cássia, com sua voz poderosa, embalava a todos e fazia com que eu, com o meu choro, lavasse a alma e começasse aquele sábado redimido por não ter ido ao Interunesp.
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